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Capítulo 13 – Produção e circulação de riquezas

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Capítulo 13 – Produção e circulação de riquezas

Resumo completo

Capítulo 13 – Produção e circulação de riquezas

Resumo completo

1Abertura: o Dia Mundial do Consumidor

Todo dia 15 de março é comemorado o Dia Mundial do Consumidor. Essa data foi criada oficialmente em 1985 pela Organização das Nações Unidas (ONU).

A ideia nasceu de um discurso feito em 1962 pelo então presidente dos Estados Unidos, John Kennedy. Ele falou sobre os direitos que todo comprador deveria ter, como receber informações claras sobre o produto e ser ouvido quando algo desse errado.

No Brasil, lojas e supermercados aproveitam essa data para fazer promoções. A existência do dia mostra como as trocas comerciais são importantes para a sociedade de hoje.

Neste capítulo você vai estudar dois setores da economia: o setor secundário (a indústria) e o setor terciário (o comércio e os serviços).

Exemplos

  • Exemplo do dia a dia: você compra um fone de ouvido e ele para de funcionar em uma semana. Pelo direito do consumidor, você pode reclamar na loja e ser atendido — foi exatamente sobre isso que Kennedy falou em 1962.

Os setores da economia

SetorO que fazExemplos
PrimárioRetira recursos da naturezaAgricultura, pecuária, extrativismo, pesca
SecundárioTransforma recursos em produtosIndústria, fábricas
TerciárioVende produtos e presta serviçosComércio, escolas, hospitais, transporte

2Como transformar os recursos naturais?

Ao longo da história, o ser humano criou técnicas e tecnologias para transformar os recursos da natureza em bens materiais (objetos que usamos, como roupas, móveis e ferramentas).

Esse caminho durou séculos e continua mudando até hoje. Ele pode ser dividido em três etapas: artesanato, manufatura e indústria.

Cada etapa mudou a forma de produzir: quem trabalha, quais ferramentas são usadas e quanto se produz.

Exemplos

  • Pense em um par de sapatos: antes um sapateiro fazia tudo sozinho (artesanato); depois várias pessoas dividiam as tarefas numa oficina (manufatura); hoje máquinas cortam, costuram e colam milhares de pares (indústria).

2.1Artesanato

O artesanato é a produção de bens feita com o trabalho manual do artesão. Até por volta do século XVI, os artesãos faziam roupas, ferramentas, móveis e utensílios usados pelas pessoas.

Eles trabalhavam sozinhos ou em pequenos grupos, geralmente na própria casa ou oficina. O artesão era dono das ferramentas e conhecedor das técnicas.

Como a quantidade produzida era pequena, uma mesma pessoa realizava todas as etapas do processo, do começo ao fim.

Exemplos

  • Na ilustração de 1595 do livro, um sapateiro aparece trabalhando sozinho em sua oficina: ele corta o couro, costura e finaliza o sapato — todas as etapas feitas pela mesma pessoa.

2.2Manufatura

Na manufatura, o trabalho ainda era feito principalmente com as mãos, mas novos equipamentos entraram no processo. Essa etapa aconteceu entre o século XVII e meados do século XVIII.

A grande novidade foi a divisão do trabalho: cada pessoa cuidava de uma etapa diferente. Isso fez a produção crescer bastante.

Produzir mais em menos tempo era necessário porque o mercado consumidor crescia, sobretudo com as Grandes Navegações, quando europeus exploraram terras na Ásia, na África e na América.

Aqui aparece uma mudança importante: os lucros ficavam com os mercadores, que eram donos dos meios de produção (equipamentos, ferramentas, matérias-primas e oficinas). Parte desse dinheiro era investida em modernizar as oficinas, o que abriu caminho para a industrialização.

Exemplos

  • Na oficina de flores de papel de 1765 (ilustração do livro), vários trabalhadores aparecem juntos: um recorta o papel, outro pinta, outro monta a flor. Cada um faz só uma parte — isso é divisão do trabalho.

2.3Indústria

A industrialização aconteceu por causa de vários fatores juntos: crescimento do mercado consumidor, aumento da procura por matéria-prima, mais mão de obra disponível e novas tecnologias.

Com a invenção das máquinas a vapor, boa parte do trabalho manual foi substituída pelas máquinas e a produção aumentou muito. O trabalho ficou mais especializado: cada trabalhador fazia apenas uma parte do processo.

Os transportes também mudaram. No lugar da força dos animais e do vento, surgiram veículos movidos a vapor, mais rápidos, que levavam produtos para mercados distantes em menos tempo.

A Revolução Industrial mudou mais do que o jeito de produzir: fez surgir novas cidades ao redor das fábricas, melhorou as comunicações, acelerou a tecnologia e aumentou as intervenções no ambiente. Muitos donos de terra trocaram a lavoura pela criação de ovelhas (para ter lã), que exigia menos trabalhadores; assim, muitos camponeses migraram para as cidades em busca de emprego nas fábricas.

Exemplos

  • A cidade de Birmingham, na Inglaterra, teve sua paisagem totalmente transformada no século XIX: chaminés, minas de carvão e fábricas tomaram o lugar dos campos.

Comparação entre os modos de produção

Modo de produçãoÉpocaQuem faz o trabalhoEtapasQuantidade produzidaQuem fica com o lucro
ArtesanatoAté cerca do século XVIO artesão, sozinho ou em pequeno grupoUma pessoa faz todas as etapasPequenaO próprio artesão (dono das ferramentas)
ManufaturaSéculo XVII até meados do XVIIITrabalho manual, com alguns equipamentosEtapas divididas entre pessoasMédia (maior que o artesanato)Os mercadores, donos dos meios de produção
IndústriaA partir da segunda metade do século XVIIIMáquinas + trabalhadores especializadosCada trabalhador faz só uma etapaMuito grandeOs donos das fábricas

3Revolução Industrial e suas diferentes fases

A Revolução Industrial foi o período em que as máquinas passaram a comandar a produção. Ela não aconteceu de uma só vez: foi dividida em fases, cada uma marcada por novas tecnologias.

A Inglaterra foi o país pioneiro. Ela tinha um enorme poder naval e dominava povos na África, na Ásia e na América. Com isso, conseguia matéria-prima barata e vendia produtos industrializados caro para esses povos.

Além disso, a Inglaterra tinha população numerosa (mão de obra) e grandes reservas de carvão mineral, a fonte de energia que fazia as máquinas a vapor funcionarem.

Exemplos

  • Passo a passo do porquê a Inglaterra começou primeiro: 1) tinha navios e colônias → matéria-prima barata; 2) tinha muita gente → trabalhadores; 3) tinha carvão → energia para as máquinas; 4) tinha para quem vender → mercado consumidor. Resultado: nasce a Primeira Revolução Industrial.

As fases da Revolução Industrial

FaseQuandoOndeEnergia / tecnologiaMarcas principais
Primeira Revolução IndustrialA partir da 2ª metade do século XVIIIInglaterraCarvão mineral e máquina a vaporAumento da produtividade; transição da manufatura para a indústria; grandes lucros
Segunda Revolução IndustrialSéculo XIX, sobretudo na 2ª metadeFrança, Alemanha, Rússia, Japão, EUAEnergia elétrica e petróleoDiversificação industrial (automóveis, eletrodomésticos, químicos); produção de aço nas siderúrgicas
Terceira Revolução Industrial (Técnico-Científico-Informacional)A partir de meados do século XXEuropa, EUA, Japão, Brasil, México, ArgentinaInformática, microeletrônica, robóticaComputadores e chips; genética e biotecnologia; multinacionais; robôs no lugar de pessoas; energia nuclear, solar e eólica
Quarta Revolução IndustrialAtualidade (segundo a ABDI)Mundo todoInteligência artificialUnião do mundo virtual com o mundo físico

3.1Primeira Revolução Industrial

A Primeira Revolução Industrial começou na segunda metade do século XVIII, na Inglaterra. Ela marca a passagem da manufatura para a indústria.

A tecnologia principal foi a máquina a vapor, movida pela queima do carvão mineral. Com ela, a produtividade aumentou muito.

Isso gerou altos lucros para os donos dos recursos de produção e ajudou no desenvolvimento econômico inglês. Também nessa fase as pessoas migraram do campo para perto das fábricas e os transportes mudaram.

Exemplos

  • Uma fábrica têxtil de 1844: teares gigantes, movidos a vapor, tecem em um dia o que um artesão levaria semanas para fazer à mão.

3.2Segunda Revolução Industrial

Durante o século XIX, principalmente na segunda metade, a indústria se espalhou para outros países: França, Alemanha, Rússia, Japão e Estados Unidos.

Nessa fase, as máquinas a vapor foram substituídas por máquinas movidas a energia elétrica, gerada com a queima de um combustível novo na época: o petróleo. Começava a Segunda Revolução Industrial.

A produção ficou bem mais variada: surgiram fábricas de automóveis, eletrodomésticos e produtos químicos. Também se produziu o aço (liga de ferro e carvão) nas usinas siderúrgicas, matéria-prima de muitos produtos.

No Brasil, destaca-se Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá. Ele aprendeu técnicas industriais com comerciantes europeus, investiu na indústria de transportes marítimos e fundou a primeira ferrovia do país.

Exemplos

  • Em 1909, na Inglaterra, trabalhadores de uma siderúrgica produziam aço para trilhos de bondes — um produto típico da Segunda Revolução Industrial.

3.3Terceira Revolução Industrial (Técnico-Científico-Informacional)

A partir de meados do século XX, a informática foi aplicada à produção. Nasceu a Terceira Revolução Industrial, também chamada de Revolução Técnico-Científico-Informacional por causa do forte avanço tecnológico.

Suas principais criações são os computadores e os componentes microeletrônicos, como os chips. Há também grandes avanços em Genética, Biotecnologia e Robótica. A Robótica junta Engenharia Mecânica, Engenharia Elétrica e Inteligência Artificial para criar robôs que fazem tarefas sozinhos ou programadas.

Nessa fase se expandiram as multinacionais: empresas com sede em um país que funcionam em vários outros por meio de filiais. Elas fazem isso para reduzir custos, levando a produção para países em desenvolvimento.

Outras marcas dessa fase são a substituição de trabalhadores por máquinas (o que às vezes gera desemprego) e novas fontes de energia, como a nuclear, a solar e a eólica — essas duas últimas chamadas de limpas porque não soltam gases poluentes.

Exemplos

  • Celulares, computadores e video games são produtos típicos da Terceira Revolução Industrial.
  • Na indústria automobilística e na agroindústria, robôs fazem tarefas repetitivas com precisão, enquanto pessoas supervisionam pelos computadores.

3.4Quarta Revolução Industrial

A industrialização não parou. Segundo a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o mundo vive hoje a Quarta Revolução Industrial.

Ela é marcada pela união do mundo virtual com o mundo físico. Isso só é possível graças a tecnologias como a inteligência artificial.

Um exemplo é o uso de óculos de realidade aumentada, que misturam imagens digitais com o ambiente real.

Exemplos

  • No evento de tecnologia Mobile World Congress, na Espanha, em 2024, pessoas testaram óculos de realidade aumentada — mundo virtual e físico juntos.

4A indústria hoje

A indústria transforma os recursos obtidos na natureza ou na agropecuária em bens para o consumo das pessoas e em bens usados por outros setores da economia.

No começo da industrialização, a fábrica precisava ter perto de si: água e energia, boas estradas (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos), mão de obra capacitada, matéria-prima e mercado consumidor. Hoje esses elementos continuam essenciais, mas não precisam mais estar todos próximos da fábrica.

Isso mudou porque a Terceira Revolução Industrial encurtou distâncias e tempos. Matérias-primas e produtos circulam pelo mundo em diferentes meios de transporte.

Por isso, um objeto que você usa pode ter sido feito longe daqui e com peças de vários países diferentes.

Exemplos

  • Exemplo do smartphone (esquema do livro): China → bateria e módulo wi-fi; Estados Unidos → modem, processador e estrutura de vidro; Coreia do Sul → tela; Japão → câmeras e memória. Um único aparelho reúne peças de quatro países!
  • E pode ser ainda mais lugares, se contarmos a origem da mão de obra e dos recursos naturais usados em cada peça.

Origem das peças de um smartphone

PaísPeça fornecida
ChinaBateria e módulo wi-fi
Estados UnidosModem, processador e estrutura de vidro
Coreia do SulTela
JapãoCâmeras e memória

Fatores para instalar uma indústria

FatorPara que serve
Água e energiaFazer as máquinas e os processos funcionarem
Rede viária (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos)Trazer matéria-prima e levar produtos
Mão de obra capacitadaOperar e supervisionar a produção
Matéria-primaMaterial que será transformado
Mercado consumidorPessoas para comprar o que é produzido

4.1Tipos de indústria

A indústria faz parte do setor secundário da economia. Uma forma comum de classificá-la é pelo tipo de produto fabricado.

A indústria de bens de produção (ou indústria de base) transforma matérias-primas em bens que serão usados por outras indústrias. Exemplos: siderúrgicas (aço), petroquímicas (refino do petróleo), metalúrgicas (estruturas metálicas e fios) e químicas (cimento, fertilizantes, ácidos).

A indústria de bens intermediários produz máquinas e equipamentos para outras indústrias. Exemplos: fábricas de autopeças, motores e tratores, e indústrias mecânicas que fazem máquinas agrícolas.

A indústria de bens de consumo produz o que vai direto para o consumidor. Ela se divide em bens duráveis (duram muito tempo: automóveis, eletrodomésticos, móveis) e bens não duráveis (duram pouco: alimentos, remédios, cosméticos, roupas).

Exemplos

  • Exemplo resolvido – fabricação de um automóvel, passo a passo: 1ª etapa: a indústria siderúrgica fornece aço, ferro e alumínio → indústria de bens de produção (ou de base). 2ª etapa: a fábrica de autopeças produz bateria e motor → indústria de bens intermediários. 3ª etapa: a montadora monta o carro e ele vai para a loja → indústria de bens de consumo duráveis.
  • Classificando produtos: remédios → bens de consumo não duráveis; eletrodomésticos → bens de consumo duráveis; aço → bens de produção (base); autopeças → bens intermediários.

Classificação das indústrias

Tipo de indústriaO que produzPara quem vaiExemplos
Bens de produção (de base)Transforma matéria-prima em material básicoOutras indústriasSiderúrgica (aço), petroquímica, metalúrgica, química (cimento, fertilizantes)
Bens intermediáriosMáquinas e equipamentosOutras indústriasAutopeças, motores, tratores, máquinas agrícolas
Bens de consumo duráveisProdutos que duram muitoConsumidor finalAutomóveis, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, móveis
Bens de consumo não duráveisProdutos de pouca durabilidadeConsumidor finalTecidos e confecções, remédios, cosméticos, alimentos e bebidas

4.2Ler e descobrir: as fábricas do futuro

O texto da revista Exame apresenta a fábrica da BMW em Leipzig, na Alemanha, onde se produz o carro elétrico i3. Lá há mais de 1000 robôs: braços mecânicos levantam peças, juntam pedaços e fazem testes de qualidade. Os funcionários apenas supervisionam pelas telas dos computadores.

Segundo o texto, o setor produtivo mundial é movido hoje por três forças: o avanço da capacidade dos computadores, a enorme quantidade de informação digitalizada e as novas estratégias de inovação.

O que mais impressiona é a velocidade das mudanças. A Revolução Industrial levou mais de 100 anos para virar global; já a popularização dos computadores transformou tudo em apenas 15 anos.

O texto também explica por que a China virou a fábrica do mundo: nas últimas décadas, as indústrias dos países ricos se mudaram para lá em busca de custos mais baixos, aproveitando a grande reserva de mão de obra qualificada e barata. Estima-se que, nos países ricos, 25% das funções na indústria sejam substituídas por tecnologias de automação, podendo eliminar 60 milhões de postos de trabalho no mundo.

Exemplos

  • Vocabulário do texto: linha de montagem = etapas de produção do automóvel; carcaça = parte externa da estrutura do carro; chão de fábrica = local onde a produção acontece; parque fabril = conjunto de fábricas; tecnologia de automação = máquina executa o trabalho com o mínimo de ajuda humana.

5Comércio

O comércio faz parte do setor terciário e é a atividade de comprar e vender produtos e serviços. É por meio dele que tudo o que sai do extrativismo, da agropecuária e da indústria chega às pessoas ou a outras indústrias.

O comércio é uma atividade muito antiga, mas cresceu bastante a partir do século XVI, com as Grandes Navegações, a colonização e, depois, com a industrialização.

Ele aparece de duas formas: o comércio interno, quando as mercadorias são vendidas dentro das fronteiras de um mesmo país; e o comércio externo, quando a venda (exportação) ou a compra (importação) acontece entre países diferentes.

Essa circulação mundial gera muito lucro, mas também traz problemas: países desenvolvidos têm maior poder de negociação e vendem a preços mais competitivos, o que dificulta o crescimento de setores das nações em desenvolvimento. Por isso existe a Organização Mundial do Comércio (OMC), criada em 1995 para estabelecer regras nas negociações entre países.

Exemplos

  • Exemplo resolvido: a manchete "China começa a comprar milho do Brasil". 1) O milho vem da atividade agropecuária (setor primário). 2) Como a venda é entre dois países diferentes (Brasil e China), trata-se de comércio externo. 3) Para o Brasil é uma exportação; para a China, uma importação.
  • Exemplo de comércio interno: uma fábrica de calçados no Rio Grande do Sul vende seus tênis para lojas de São Paulo — tudo dentro do mesmo país.

Tipos de comércio

TipoOnde aconteceTermos usadosExemplo
Comércio internoDentro das fronteiras de um paísCompra e venda nacionalPadaria do bairro; loja que vende produtos de outro estado
Comércio externoEntre países diferentesExportação (venda) e importação (compra)Brasil vende milho para a China

6Serviços

Os serviços também fazem parte do setor terciário. Eles reúnem atividades muito variadas: educação, pesquisa, saúde, limpeza, segurança, estética, lazer, transporte, comunicação, administração pública e finanças.

Os serviços podem ser oferecidos para empresas ou para consumidores finais, como você e sua família.

Com o avanço tecnológico da Terceira Revolução Industrial, as máquinas substituíram muita mão de obra tanto no setor primário quanto no secundário. Muitas pessoas foram então trabalhar em serviços, o que provocou a terciarização da economia — o aumento da participação do setor terciário na economia do país.

No Brasil, segundo o IBGE, o setor terciário é o que mais emprega. A Pesquisa Anual de Serviços (PAS) de 2022 mostrou cerca de 14,2 milhões de pessoas trabalhando em serviços.

Exemplos

  • Serviços do seu dia a dia: ir à escola (educação), pegar ônibus (transporte), consultar o médico (saúde), usar a internet (comunicação), ir ao cinema (lazer).
  • Movimento de passageiros na rodoviária de Salvador (2021) e transporte de laranjas para fazer suco em Matão-SP (2022) são exemplos de serviços de transporte.

Por que a demanda por serviços aumentou

FatorExplicação
Mais gente nas cidadesÉ na cidade que se concentram o comércio e vários tipos de serviço
GlobalizaçãoEmpresas produzem e vendem no mundo todo e precisam de serviços administrativos, financeiros, de transporte e telecomunicações
Pessoas trabalhando fora de casaCresce a procura por creche, lavanderia, faxina
Envelhecimento da populaçãoAumenta a necessidade de serviços de saúde e cuidados especiais
Produtos vendidos com serviçosAssistência técnica, consultoria de moda em lojas etc.

Setores da economia e nível de desenvolvimento dos países

Tipo de paísSetor que mais empregaPor quê
Mais desenvolvido (ex.: Estados Unidos)Terciário e secundárioIndustrialização antiga e campo muito mecanizado; setor terciário cresceu cedo e rápido
Em desenvolvimento (ex.: Brasil)Terciário (crescimento mais tardio)A industrialização começou depois, então o setor terciário cresceu mais tarde
Menos desenvolvido (vários países da África)PrimárioEconomia baseada em alimentos e matérias-primas, sem modernização expressiva no campo

6.1Palavras-chave: terciarização e globalização

Terciarização é o aumento da participação do setor terciário na economia de um país, influenciando a geração de riquezas e de empregos.

Globalização é o processo de interação econômica, financeira e cultural entre os países. Fabricar e vender produtos e serviços em nível mundial fez os negócios crescerem e aproximou pessoas e culturas.

Isso só foi possível por causa do avanço da tecnologia, principalmente nos transportes e nas comunicações.

Exemplos

  • Globalização no seu dia: você assiste a um vídeo feito em outro país, no celular montado com peças de quatro países, comprado numa loja brasileira.

7Espaços industriais no mundo (leitura de mapa)

O mapa Mundo – Espaços industriais mostra que a indústria não está distribuída de forma igual pelo planeta. Alguns países são altamente industrializados; outros têm pouca ou nenhuma industrialização.

Os países altamente industrializados aparecem principalmente na América do Norte (Estados Unidos, Canadá) e na Europa Ocidental. Grandes centros industriais também aparecem em Londres, Paris, Nova York, Tóquio, Seul e São Paulo.

Os países com pouca ou nenhuma industrialização concentram-se sobretudo na África, e também em partes da Ásia e da América do Sul.

Isso acontece porque a industrialização começou na Europa e se espalhou primeiro para países que já tinham riqueza, tecnologia e mercado consumidor — muitos deles antigas potências coloniais.

Exemplos

  • Leitura resolvida do mapa: 1) Veja a legenda: rosa = altamente industrializado; laranja = recentemente industrializado; amarelo = semi-industrializado; branco = pouca ou nenhuma industrialização. 2) Procure a cor branca: ela predomina na África. 3) Conclusão: a afirmação "o nível de industrialização é bastante desigual entre os países" é verdadeira.

Legenda do mapa de espaços industriais

CategoriaOnde predomina
País altamente industrializadoAmérica do Norte e Europa Ocidental
País recentemente industrializadoBrasil, Rússia, China, Argentina, África do Sul
País semi-industrializadoPartes da Ásia e do norte da África
País com pouca ou nenhuma industrializaçãoGrande parte da África

8Resumo final: o que você estudou neste capítulo

Neste capítulo você aprendeu a diferença entre os três modos de produção: artesanal, manufatureiro e industrial.

Estudou também as principais características da Revolução Industrial e suas fases, desde a máquina a vapor até a inteligência artificial.

Viu os diversos processos envolvidos na produção de bens — como as peças de um celular ou as etapas de um calçado — e os tipos de indústria.

Por fim, conheceu a dinâmica atual do setor secundário (indústria) e do setor terciário (comércio e serviços), incluindo a terciarização e a globalização.

Exemplos

  • Revisão rápida em cadeia: natureza (setor primário) → fábrica transforma (setor secundário) → loja vende e o entregador leva até você (setor terciário).

Glossário do capítulo

TermoSignificado
ArtesanatoProdução manual feita pelo artesão, que faz todas as etapas
ManufaturaProdução manual com divisão do trabalho entre várias pessoas
IndústriaProdução em grande quantidade com uso de máquinas
Meios de produçãoEquipamentos, ferramentas, matérias-primas e oficinas/fábricas
MultinacionalEmpresa com sede em um país e filiais em vários outros
ExportaçãoVenda de mercadorias para outro país
ImportaçãoCompra de mercadorias de outro país
TerciarizaçãoAumento da participação do setor terciário na economia
GlobalizaçãoInteração econômica, financeira e cultural entre os países
OMCOrganização Mundial do Comércio, criada em 1995, regula o comércio entre países
AutomaçãoMáquina executa o processo com mínima intervenção humana

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Capítulo 13 – Produção e circulação de riquezas

Resumo rápido

Capítulo 13 – Produção e circulação de riquezas

Resumo rápido

1Como transformar os recursos naturais?

Ao longo da história, as pessoas criaram técnicas para transformar o que vem da natureza em bens materiais (objetos que usamos, como roupas, móveis e celulares).

Esse caminho passou por três etapas: artesanato, manufatura e indústria.

1.1Artesanato

Artesanato é a produção feita à mão pelo artesão. Ele trabalha sozinho ou em grupos pequenos, é dono das ferramentas e faz todas as etapas do produto.

Foi o modo principal de produzir até o século XVI. A quantidade produzida era pequena.

Exemplo

  • Um sapateiro que corta o couro, costura e acaba o sapato inteiro na própria oficina.

1.2Manufatura

Na manufatura (século XVII até meados do XVIII) o trabalho ainda era manual, mas surgiu a divisão do trabalho: cada pessoa fazia uma etapa diferente.

Assim se produzia mais em menos tempo. Os donos das oficinas e ferramentas eram os mercadores, e o lucro ficava com eles.

Exemplo

  • Uma oficina de flores de papel em que um corta, outro pinta e outro monta.

1.3Indústria

Na indústria, as máquinas fazem boa parte do trabalho e a produção acontece em grande quantidade. Cada trabalhador cuida de apenas uma parte do processo (trabalho especializado).

A máquina a vapor, os novos transportes e o crescimento do mercado consumidor tornaram isso possível. Essa mudança fez nascer cidades industriais e aumentou a interferência humana no ambiente.

Exemplo

  • Fábrica de tecidos com teares movidos a vapor, onde cada operária cuida de uma máquina.

2Revolução Industrial e suas fases

A Revolução Industrial foi o conjunto de mudanças que trocou o trabalho manual pelo trabalho com máquinas. Começou na Inglaterra, que tinha carvão mineral, muita mão de obra, poder naval e colônias que forneciam matéria-prima barata.

2.1Primeira Revolução Industrial

Começou na segunda metade do século XVIII, na Inglaterra. A grande novidade foi a máquina a vapor, movida a carvão.

A produtividade aumentou muito e os donos das fábricas ficaram muito ricos.

2.2Segunda Revolução Industrial

Aconteceu no século XIX, principalmente na segunda metade. A indústria se espalhou para França, Alemanha, Rússia, Japão e Estados Unidos.

A marca dessa fase é a energia elétrica e o petróleo no lugar do vapor, além do aço produzido nas siderúrgicas. Surgiram fábricas de automóveis, eletrodomésticos e produtos químicos.

Exemplo

  • No Brasil, o Barão de Mauá investiu em transportes marítimos e construiu a primeira ferrovia do país.

2.3Terceira Revolução Industrial

Começou em meados do século XX com a informática. Também é chamada de Revolução Técnico-Científico-Informacional.

Suas marcas são os computadores, os chips, a robótica, a genética e a biotecnologia. Nessa fase cresceram as multinacionais — empresas com sede em um país e filiais em vários outros — e surgiram novas fontes de energia, como a nuclear, a solar e a eólica.

Um problema dessa fase é a substituição de trabalhadores por máquinas, o que gera desemprego.

Exemplo

  • Robôs montando carros na linha de produção de uma fábrica de automóveis.

2.4Quarta Revolução Industrial

Segundo a ABDI, hoje vivemos a Quarta Revolução Industrial, marcada pela união do mundo virtual com o físico.

A inteligência artificial é a tecnologia que mais representa essa etapa.

3A indústria hoje

A indústria transforma recursos da natureza ou da agropecuária em bens para as pessoas e para outros setores. Ela faz parte do setor secundário da economia.

Antes, a fábrica precisava ficar perto de água, energia, estradas, matéria-prima, mão de obra e mercado consumidor. Hoje esses itens continuam importantes, mas não precisam estar todos no mesmo lugar, porque os transportes e a comunicação encurtaram as distâncias.

Por isso, um mesmo produto pode ter peças feitas em vários países.

Exemplo

  • Um smartphone com bateria da China, processador dos EUA, tela da Coreia do Sul e câmera do Japão.

3.1Tipos de indústria

Indústria de bens de produção (ou de base): transforma matéria-prima em produtos usados por outras indústrias. Exemplos: siderúrgica (aço), petroquímica, metalúrgica e química.

Indústria de bens intermediários: fabrica máquinas e peças para outras indústrias, como autopeças, motores e tratores.

Indústria de bens de consumo: faz produtos que vão direto para o consumidor. Pode ser de bens duráveis (automóveis, geladeiras, móveis) ou de bens não duráveis (roupas, remédios, alimentos).

Exemplo

  • Na fabricação de um carro: a siderúrgica faz o aço (base), a fábrica de autopeças faz o motor (intermediário) e a montadora entrega o carro pronto (consumo durável).

4Comércio

O comércio faz parte do setor terciário e é a compra e venda de produtos e serviços. É por ele que tudo o que sai do extrativismo, da agropecuária e da indústria chega às pessoas e a outras fábricas.

Existem dois tipos: comércio interno, dentro do próprio país, e comércio externo, entre países. No comércio externo, vender é exportação e comprar é importação.

Os países desenvolvidos têm mais poder de negociação, o que pode prejudicar os países em desenvolvimento. Por isso existe a OMC (Organização Mundial do Comércio), criada em 1995 para estabelecer regras entre os países.

Exemplo

  • A China comprar milho do Brasil é comércio externo: para o Brasil é exportação; para a China, importação.

5Serviços

Os serviços também pertencem ao setor terciário. Incluem educação, saúde, transporte, comunicação, segurança, limpeza, lazer, finanças e administração pública.

Como as máquinas substituíram muitos trabalhadores no campo e na indústria, muita gente foi trabalhar em serviços. Esse aumento do setor terciário na economia se chama terciarização.

Outros motivos do crescimento: mais pessoas morando nas cidades, a globalização (integração econômica e cultural entre os países), o envelhecimento da população e as pessoas trabalhando fora de casa.

Exemplo

  • No Brasil, o setor terciário é o que mais emprega: cerca de 14,2 milhões de pessoas trabalhavam em serviços em 2022 (IBGE).

5.1Setores da economia e desenvolvimento

Países mais desenvolvidos concentram os trabalhadores nos setores terciário e secundário, porque o campo é muito mecanizado.

Países menos desenvolvidos dependem mais do setor primário (agropecuária e extrativismo) e empregam muita gente nele, já que houve pouca modernização no campo.

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